Rio de Janeiro – A organização não governamental Rio de Paz faz manifestação na Lagoa Rodrigo de Freitas em memória dos policiais militares assassinados no Rio em 2017 (Tomaz Silva/Agência Brasil)

A organização não governamental (ONG) Rio de Paz trocou hoje (27) as 132 placas com nomes dos policiais mortos este ano no estado, que foram afixadas na altura da Curva do Calombo, na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul da cidade, por cinco placas reunindo o nome de todos eles. Segundo o presidente e fundador da ONG, Antônio Carlos Costa, a troca foi feita porque a instalação é permanente e precisava abrir espaço para novas homenagens.

“No formato que nós estávamos utilizando, que possibilitava as pessoas que passam por esse local conhecer a história de cada policial, não cabia mais [placas] nessa região aqui da Lagoa. Então nós resolvemos condensar os nomes em algumas placas para abrir espaço, infelizmente, para os policias que serão mortos no ano de 2018. Porque essa instalação é permanente e nós vamos estar atualizando mensalmente os nomes desses policiais que tiveram a vida interrompida pelo crime no estado do Rio de Janeiro”.

O ato reuniu familiares dos policiais mortos, que ajudaram a recolher as placas individuais e colocaram flores em 13 fardas manchadas de vermelho penduradas no local, simbolizando os 132 homenageados. Gilma Veríssimo Bezerra, mãe do cabo Djalma Veríssimo Pequeno, assassinado no shopping Guadalupe em outubro, lembra que o filho estava de férias quando levou três tiros em um assalto a uma joalheria. “Infelizmente, a vida do meu filho custou 3 gramas de ouro, que foi o que eles levaram”.

“Até hoje, o estado coloca os nossos PMs nas ruas para serem mortos, abatidos. Nesse ano, já foram 132 policiais, meu filho foi o [de número] 112. Em menos de dois meses, já teve mais 20. Infelizmente, ninguém faz nada, as autoridades, o estado, ninguém faz nada por ninguém. A nossa segurança está falida, cadê os governadores, cadê o Pezão?”

Emocionada, Gilma considera muito boa a homenagem. “Pelo menos com essa Rio de Paz, a gente sabe que os nossos heróis estão sendo lembrados, não ficaram no esquecimento. A gente só espera que, quando for em 2018, isso venha a diminuir cada vez mais, que a gente não tenha mais essas placas pra levantar, e chegue o dia em que tenha pouquíssimas placas, ou não tenha nenhuma. Isso seria um milagre, se acontecesse isso, que ninguém mais segurasse uma placa com o nome do filho, como eu estou segurando do meu”.

Para o presidente da ONG, o Rio de Janeiro só terá paz “no dia em que execução de morador de favela e assassinato de policial militar contarem com o mais veemente repúdio de todos os setores da sociedade”. Para ele, direitos humanos não têm lado. “A luta pela defesa do direito à vida não pode ser seletiva. Nós entendemos que um cidadão brasileiro não se torna destituído de direito ao vestir uma farda. E isso, muitas vezes, nós nos esquecemos, vendo-os como inimigos da sociedade, quando não são”.

Segundo ele, os policiais não têm as condições adequadas de trabalho. “Nós queremos a paz, mas nós não estamos dispostos a pagar parte do preço dessa paz, que é oferecer condições dignas de vida por aqueles que estão pagando o maior preço pelo sonho da pacificação do Rio de Janeiro. Nós não temos no Rio de Janeiro o histórico de 132 médicos assassinados ou 132 engenheiros que tiveram a vida interrompida pelo crime, seja que profissão for. O que nós sabemos é que 132 policiais militares foram assassinados esse ano”.

Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil  Edição:  Davi Oliveira
Agência Brasil